E nem me avisaram...
Era pra ser uma manhã calma de sábado, acordei cedo para minha tortura medieval mais detestável (leia-se ‘tingir o cabelo), mas os acontecimentos decorrentes fizeram tudo mudar de rumo...
Vemos diariamente pelos jornais, casos de trotes sobre sequestros , pedidos de resgate, pressão psicológica, só não imaginava que a minha família iria cair tão ‘facilmente’ nessa.
Saio do salão e ligo para minha mãe que, para minha surpresa, atende chorando e desesperada: “Tem um bandido no telefone falando que te sequestrou, onde você está?”. Calma! Estou bem e voltando pra casa... Sã e salva, até que se prove o contrário.
O que aconteceu, resumidamente, foi um ‘timing’ perfeito do trote com a minha saída. Parece inacreditável, mas é verídico! O suposto ‘sequestrador’ liga para minha casa e fala que está comigo, que acaba de me sequestrar entrando no carro e minha mãe jura ter ouvido minha voz ao telefone (é, nesses casos, já expliquei que qualquer pessoa chorando e gritando tem exatamente a mesma voz). Ela entrou em desespero e começou a ligar para o meu celular. Eu, que devia estar terminando de secar o cabelo ou pagando pelo serviço, não ouvi o celular e não atendi, piorando ainda mais o desespero. Após algum tempo (não sei exatamente quanto), eis que surge a brilhante ideia da minha mãe de ligar para o salão. Agora, acreditem ou não, esse timing foi foda! Ela liga e dizem: Ah! Ela já saiu daqui, o carro dela não está mais aqui na frente. PRONTO! Chama o CSI...
Nesse meio tempo, minha mãe ligou para o meu tio que mora ao lado de casa, meu primo já veio em casa com o carro para me procurar, meu outro primo saiu correndo que nem um louco na feira atrás do meu tio. Foi o CAOS!
O mais bizarro dessa história toda foi eu, que não sabia nem o que tava rolando, entender o que acontecia. Afinal, eu ligo e minha mãe atende chorando. Ligo em casa e meu primo atende (?!?!?!) com uma voz ríspida praticamente brigando comigo. Foi um horror.
O diálogo com meu primo ao telefone foi sensacional. Imaginem:
Ricardo: Alo!
Pri: Quem tá falando?
R: Quem é?
P: Ri, é você? O que tá acontecendo por ai?
R: Quem tá falando??? Pri, é você?
P: Ri, sou eu... Dá pra alguém me explicar o que tá pegando?
R: Onde você está?
P: Eu to aqui na Tancredo...
R: QUE LUGAR?? (Já gritando desesperado)
P: Na frente do habbib’s, pq?
R: Fica aí que já estou indo te buscar, não sai daí...
P: KCT, Ricardo... EU TO DE CARRO!
R: Então para o carro em qualquer lugar, eu vou te pegar... Não sai daí!
P: RICARDO, SE LIGA! Eu to no meu carro, to bem... indo pra casa, você pode me explicar o que está acontecendo???
R: (já mais calmo!) Você tá sozinha? Eu to te esperando aqui na sua casa então... Sua mão recebeu uma ligação, blá blá bla whiskas sache blá blá...
É, acreditem ou não, essas coisas acontecem... E eu que achei que o pessoal aqui de casa fosse um pouquinho ‘mais esperto’ pra não cair nessas... hunf!
O melhor de tudo foi minha irmã, que também comprou a história do suposto seqüestrador facinho, explicando como ela tinha realmente acreditado que ele tava comigo.
Luciana: Pri, mas ele falou no telefone que você era filha de empresário...
Pri: E desde quando eu sou?
L: Eh, eu disse que o pai tinha morrido... Aí ele falou: “Ah, então ela é parente de empresário...”. Nisso eu saquei que ele tava com você mesmo...
(Pois é, o ladrão acertou na segunda, não??? Sem comentários... *risos*)
"Loucura e inocência são tão parecidas, que a diferença, embora essencial, mal se percebe." (William Cowper)
Na hora do pânico a gente esquece tudo. A do ladrão falando q vc era isso e depois ah q vc era aquilo foi ótima.
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